Opinião Popular: Se a greve dos professores é ilegal... O que é legal no Tocantins?


Depois de uma noite de insônia, logo após ter lido a decisão do juiz de direito Helvécio de Brito Maia Neto, determinando o retorno imediato dos professores às salas de aula, não me agüentei e arrisquei rascunhar minha indignação.

Pra começo de conversa, achei uma (super, hiper, mega, giga, ultra) coincidência a decisão do juiz ter sido anunciada um dia após os juízes tocantinenses terem sido agraciados por uma ajudinha de custo que pode chegar a R$ 7.000,00. (Mas o auxílio não é abusivo nem ilegal, pois quem julga o que é legal ou não são eles, os juízes).

Uma das justificativas para a ilegalidade da greve é que, nas palavras do juiz, as negociações se encontram em estado avançado. Só se for em avançado estado de decomposição. Visto que em mais de dois anos de conversas, nada de concreto foi obtido (PCCS, progressões, reajuste, equiparação salarial etc).

Outra justificativa, segundo o magistrado, é que estamos em ano eleitoral. (essa, eu me recuso a comentar). Mas se eu pudesse dirigir-lhe uma perguntinha .... seria essa: o que está acontecendo dentro das escolas não tem fins eleitoreiros? Com diretores indicados por líderes políticos, fazendo das escolas cabides eleitorais?

Uma decisão monocrática, em um país democrático, em um Estado DEMOcrático. (aqui no Tocantins, o termo DEMO, não significa exatamente POVO).

Talvez tenhamos alguns professores presos a partir de segunda-feira, 31. Já que o juiz determinou ainda a utilização de força policial para remover pessoas e objetos que impeçam o andamento das atividades nas escolas. Além de multa que pode chegar a R$ 200 mil para o SINTET.

Fazer (in)justiça com as próprias mãos é uma prerrogativa apenas do executivo tocantinense, pois, para nossa tristeza, o judiciário está nas mãos do governo. Ou seria: os juízes são as mãos do executivo? Sendo assim, os professores estão sem braços e mãos para fazer qualquer aceno, restando apenas as cordas vocais (muitas já gastas pela esfrega do dia-a-dia).

Para nós, o rombo no IGPREV, é ilegal, imoral, injusto, . Será o que o nobre magistrado que julgou a greve ilegal acha disso? Estamos no risco iminente de não podermos mais nos aposentar, a partir de 2019. E os que já estão aposentados podem ter seus contracheques zerados. Mas nossos representantes no legislativo (serão nossos de fato?) foram contrários à criação de uma CPI para investigar o sumiço do dinheiro.

Vou concluir deixando algumas reflexões acerca da (in)justiça.

A justiça brasileira é muito eficiente em dois momentos: na hora de condenar os pobres e quando absolve os ricos.

Quem decide um caso sem ouvir a outra parte não pode ser considerado justo, ainda que decida com justiça. (Sêneca)

É pior cometer uma injustiça do que sofrê-la, porque quem a comete transforma-se num injusto e quem a sofre não. (Sócrates)
A justiça pode caminhar sozinha. A injustiça precisa sempre de muletas, de argumentos. (Nicolae Iorga)
O pior governo é o que exerce a tirania em nome das leis e da justiça. (Montesquieu)

O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis. (Platão)

Professor Almecides C. Silva
Goiatins-TO